<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088</id><updated>2011-04-21T22:38:17.838+01:00</updated><title type='text'>HORIZONTE</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>24</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108437855317650446</id><published>2004-05-12T17:14:00.000+01:00</published><updated>2004-05-12T17:16:32.426+01:00</updated><title type='text'>A biblioteca de Babel</title><content type='html'>O universo compõe-se de um número indefinido, e talvez infinito, de galerias hexagonais, com vastos poços de ventilação no centro, cercados por balaustradas baixíssimas. De qualquer hexágono, vêem-se os andares inferiores e superiores: interminavelmente. A distribuição das galerias é invariável. Vinte prateleiras, em cinco longas estantes de cada lado, cobrem todos os lados menos dois; sua altura, que é a dos andares, excede apenas a de um bibliotecário normal. Uma das faces livres dá para um estreito vestíbulo, que desemboca em outra galeria, idêntica à primeira e a todas. À esquerda e à direita do vestíbulo, há dois sanitários minúsculos. Um permite dormir em pé; outro, satisfazer as necessidades físicas. Por aí passa a escada espiral, que se abisma e se eleva ao infinito. No vestíbulo ha um espelho, que fielmente duplica as aparências. Os homens costumam inferir desse espelho que a Biblioteca não é infinita (se o fosse realmente, para quê essa duplicação ilusória?), prefiro sonhar que as superfícies polidas representam e prometem o infinito... A luz procede de algumas frutas esféricas que levam o nome de lâmpadas. Há duas em cada hexágono: transversais. A luz que emitem é insuficiente, incessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como todos os homens da Biblioteca, viajei na minha juventude; peregrinei em busca de um livro, talvez do catálogo de catálogos; agora que meus olhos quase não podem decifrar o que escrevo, preparo-me para morrer; a poucas léguas do hexágono em que nasci. Morto, não faltarão mãos piedosas que me joguem pela balaustrada; minha sepultura será o ar insondável; meu corpo cairá demoradamente e se corromperá e dissolverá no vento gerado pela queda, que é infinita. Afirmo que a Biblioteca é interminável. Os idealistas argúem que as salas hexagonais são uma forma necessária do espaço absoluto ou, pelo menos, de nossa intuição do espaço. Alegam que é inconcebível uma sala triangular ou pentagonal. (os místicos pretendem que o êxtase lhes revele uma câmara circular com um grande livro circular de lombada contínua, que siga toda a volta das paredes; mas seu testemunho é suspeito; suas palavras, obscuras. Esse livro cíclico é Deus). Basta-me, por ora, repetir o preceito clássico: "A Biblioteca é uma esfera cujo centro cabal é qualquer hexágono, cuja circunferência é inacessível".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada um dos muros de cada hexágono correspondem cinco estantes; cada estante encerra trinta e dois livros de formato uniforme; cada livro é de quatrocentas e dez páginas; cada página, de quarenta linhas; cada linha, de umas oitenta letras de cor preta. Também há letras no dorso de cada livro; essas letras não indicam ou prefiguram o que dirão as páginas. Sei que essa inconexão, certa vez, pareceu misteriosa. Antes de resumir a solução (cuja descoberta, apesar de suas trágicas projeções, é talvez o fato capital da história), quero rememorar alguns axiomas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro: a Biblioteca existe ab aeterno. Dessa verdade cujo corolário imediato é a eternidade futura do mundo, nenhuma mente razoável pode duvidar. O homem, o imperfeito bibliotecário, pode ser obra do acaso ou dos demiurgos malévolos; o universo, com seu elegante provimento de prateleiras, de tomos enigmáticos, de infatigáveis escadas para o viajante e de latrinas para o bibliotecário sentado, somente pode ser obra de um deus. Para perceber a distância que há entre o divino e o humano, basta comparar esses rudes símbolos trémulos que minha falível mão garatuja na capa de um livro, com as letras orgânicas do interior: pontuais, delicadas, negríssimas, inimitavelmente simétricas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo: O número de símbolos ortográficos é vinte e cinco.1 Essa comprovação permitiu, depois de trezentos anos, formular uma teoria geral da Biblioteca e resolver satisfatoriamente o problema que nenhuma conjectura decifrara: a natureza disforme e caótica de quase todos os livros. Um, que meu pai viu em um hexágono do circuito quinze noventa e quatro, constava das letras M C V perversamente repetidas da primeira linha ate à última. Outro (muito consultado nesta área) é um simples labirinto de letras, mas a página penúltima diz Oh, tempo tuas pirâmides. Já se sabe: para uma linha razoável com uma correta informação, há léguas de insensatas cacofonias, de confusões verbais e de incoerências. (Sei de uma região montanhosa cujos bibliotecários repudiam o supersticioso e vão costume de procurar sentido nos livros e o equiparam ao de procurá-lo nos sonhos ou nas linhas caóticas da mão... Admitem que os inventores da escrita imitaram os vinte e cinco símbolos naturais, mas sustentam que essa aplicação é casual, e que os livros em si nada significam. Esse ditame, já veremos, não é completamente falaz).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante muito tempo, acreditou-se que esses livros impenetráveis correspondiam a línguas pretéritas ou remotas. É verdade que os homens mais antigos, os primeiros bibliotecários, usavam uma linguagem assaz diferente da que falamos agora; é verdade que algumas milhas à direita a língua é dialetal e que noventa andares mais acima é incompreensível. Tudo isso, repito-o, é verdade, mas quatrocentas e dez páginas de inalteráveis M C V não podem corresponder a nenhum idioma, por dialetal ou rudimentar que seja. Uns insinuaram que cada letra podia influir na subsequente e que o valor de M C V na terceira linha da página 71 não era o que pode ter a mesma série noutra posição de outra página, mas essa vaga tese não prosperou. Outros pensaram em criptografias; universalmente essa conjectura foi aceite, ainda que não no sentido em que a formularam seus inventores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quinhentos anos, o chefe de um hexágono superior2 deparou com um livro tão confuso quanto os outros, porém que possuía quase duas folhas de linhas homogêneas. Mostrou o seu achado a um decifrador ambulante, que lhe disse que estavam redigidas em português; outros lhe afirmaram que em iídiche. Antes de um século pôde ser estabelecido o idioma: um dialeto samoiedo-lituano do guarani, com inflexões de árabe clássico. Também decifrou-se o conteúdo: noções de análise combinatória, ilustradas por exemplos de variantes com repetição ilimitada. Esses exemplos permitiram que um bibliotecário de gênio descobrisse a lei fundamental da Biblioteca. Esse pensador observou que todos os livros, por diversos que sejam, constam de elementos iguais: o espaço, o ponto, a vírgula as vinte e duas letras do alfabeto. Também alegou um fato que todos os viajantes confirmaram: "Não há, na vasta Biblioteca, dois livros idênticos". Dessas premissas incontrovertíveis deduziu que a Biblioteca é total e que suas prateleiras registram todas as possíveis combinações dos vinte e tantos símbolos ortográficos (numero, ainda que vastíssimo, não infinito), ou seja, tudo o que é dado expressar: em todos os idiomas. Tudo: a história minuciosa do futuro, as autobiografias dos arcanjos, o catálogo fiel da Biblioteca, milhares e milhares de catálogos falsos, a demonstração da falácia desses catálogos, a demonstração da falácia do catalogo verdadeiro, o evangelho gnóstico de Basilides, o comentário desse evangelho, o comentário do comentário desse evangelho, o relato verídico de tua morte, a versão de cada livro em todas as línguas, as interpolações de cada livro em todos os livros; o tratado que Beda pôde escrever (e não escreveu) sobre a mitologia dos saxões, os livros perdidos de Tácito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se proclamou que a Biblioteca abarcava todos os livros, a primeira impressão foi de extravagante felicidade. Todos os homens sentiram-se senhores de um tesouro intacto e secreto. Não havia problema pessoal ou mundial cuja eloquente solução não existisse: em algum hexágono. o universo estava justificado, o universo bruscamente usurpou as dimensões ilimitadas da esperança. Naquele tempo falou-se muito das Vindicações: livros de apologia e de profecia, que para sempre vindicavam os actos de cada homem do universo e guardavam arcanos prodigiosos para seu futuro. Milhares de cobiçosos abandonaram o doce hexágono natal e precipitaram-se escadas acima, premidos pelo vão propósito de encontrar sua Vindicação. Esses peregrinos disputavam nos corredores estreitos, proferiam obscuras maldições, estrangulavam-se nas escadas divinas, jogavam os livros enganosos no fundo dos túneis, morriam despenhados pelos homens de regiões remotas. Outros enlouqueceram... As Vindicações existem (vi duas que se referem a pessoas do futuro, a pessoas talvez não imaginarias) mas os que procuravam não recordavam que a possibilidade de que um homem encontre a sua, ou alguma pérfida variante da sua, é computável em zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também se esperou então o esclarecimento dos mistérios básicos da humanidade: a origem da Biblioteca e do tempo. É verosímil que esses graves mistérios possam explicar-se em palavras: se não bastar a linguagem dos filósofos, a multiforme Biblioteca produzirá o idioma inaudito que se requer e os vocabulários e gramáticas desse idioma. Faz já quatro séculos que os homens esgotam os hexágonos... Existem investigadores oficiais, inquisidores. Eu os vi no desempenho de sua função: chegam sempre estafados; falam de uma escada sem degraus que quase os matou; falam de galerias e de escadas com o bibliotecário; ás vezes, pegam o livro mais próximo e o folheiam, á procura de palavras infames. Visivelmente, ninguém espera descobrir nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A desmedida esperança, sucedeu, como e natural, uma depressão excessiva. A certeza de que alguma prateleira em algum hexágono encerrava livros preciosos e de que esses livros preciosos eram inacessíveis afigurou-se quase intolerável. Uma seita blasfema sugeriu que cessassem as buscas e que todos os homens misturassem letras e símbolos, até construir, mediante um improvável dom do acaso, esses livros canônicos. As autoridades viram-se obrigadas a promulgar ordens severas. A seita desapareceu, mas na minha infância vi homens velhos que demoradamente se ocultavam nas latrinas, com alguns discos de metal num fritilo proibido, e debilmente arremedavam a divina desordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros, inversamente, acreditaram que o primordial era eliminar as obras inúteis. Invadiam os hexágonos, exibiam credenciais nem sempre falsas, folheavam com fastio um volume e condenavam prateleiras inteiras: a seu furor higiênico, ascético, deve-se a insensata perda de milhões de livros. Seu nome é execrado, mas aqueles que deploram os "tesouros" destruídos por seu frenesi negligenciam dois fatos notórios. Um: a Biblioteca é tão imensa que toda redução de Origem humana resulta infinitesimal. Outro: cada exemplar é único, insubstituível, mas (como a Biblioteca é total) há sempre várias centenas de milhares de fac-símiles imperfeitos: de obras que apenas diferem por uma letra ou por uma virgula. Contra a opinião geral, atrevo-me a supor que as consequências das depredações cometidas pelos Purificadores foram exageradas graças ao horror que esses fanáticos provocaram. Urgia-lhes o delírio de conquistar os livros do Hexágono Carmesim: livros de formato menor que os naturais; onipotentes, ilustrados e mágicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também sabemos de outra superstição daquele tempo: a do Homem do Livro. Em alguma estante de algum hexágono (raciocinaram os homens) deve existir um livro que seja a cifra e o compêndio perfeito de todos os demais: algum bibliotecário o consultou e é análogo a um deus. Na linguagem desta área persistem ainda vestígios do culto desse funcionário remoto. Muitos peregrinaram á procura d'Ele. Durante um século trilharam em vão os mais diversos rumos. Como localizar o venerado hexágono secreto que o hospedava? alguém propôs um método regressivo: Para localizar o livro A, consultar previamente um livro B, que indique o lugar de A; para localizar o livro B, consultar previamente um livro C, e assim até o infinito... Em aventuras como essas, prodigalizei e consumi meus anos. Não me parece inverosímil que em alguma prateleira do universo haja um livro total;3 rogo aos deuses ignorados que um homem – um só, ainda que seja há mil anos! – o tenha examinado e lido. Se a honra e a sabedoria e a felicidade não estão para mim, que sejam para outros. Que o céu exista, embora meu lugar seja o inferno. Que eu seja ultrajado e aniquilado, mas que num instante, num ser, Tua enorme Biblioteca Se justifique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afirmam os ímpios que o disparate é normal na Biblioteca e que o razoável (e mesmo a humilde e pura coerência) é quase milagrosa exceção. Falam (eu o sei) de "a Biblioteca febril, cujos fortuitos volumes correm o incessante risco de transformar-se em outros e que tudo afirmam, negam e confundem como uma divindade que delira". Essas palavras, que não apenas denunciam a desordem mas que também a exemplificam, provam, evidentemente, seu gosto péssimo e sua desesperada ignorância. De fato, a Biblioteca inclui todas as estruturas verbais, todas as variantes que permitem os vinte e cinco símbolos ortográficos, porém nem um único disparate absoluto. Inútil observar que o melhor volume dos muitos hexágonos que administro intitula-se Trono Penteado, e outro A Cãibra de Gesso e outro Axaxaxas mlö. Essas proposições, à primeira vista incoerentes, sem dúvida são passíveis de uma justificativa criptográfica ou alegórica; essa justificativa é verbal e, ex hypothesi, já figura na Biblioteca. Não posso combinar certos caracteres&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dhcmrlchtdj&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que a divina Biblioteca não tenha previsto e que em alguma de suas línguas secretas não contenham um terrível sentido. Ninguém pode articular uma sílaba que não esteja cheia de ternuras e de temores; que não seja em alguma dessas linguagens o nome poderoso de um deus. Falar é incorrer em tautologias. Esta epístola inútil e palavrosa já existe num dos trinta volumes das cinco prateleiras de um dos incontáveis hexágonos – e também sua refutação. (Um numero n de linguagens possíveis usa o mesmo vocabulário; em alguns, o símbolo biblioteca admite a correta definição ubíquo e perdurável sistema de galerias hexagonais, mas biblioteca é pão ou pirâmide ou qualquer outra coisa, e as sete palavras que a definem tem outro valor. Você, que me lê, tem certeza de entender minha linguagem?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escrita metódica distrai-me da presente condição dos homens. A certeza de que tudo está escrito nos anula ou nos fantasmagórica. Conheço distritos em que os jovens se prostram diante dos livros e beijam com barbárie as páginas, mas não sabem decifrar uma única letra. As epidemias, as discórdias heréticas, as peregrinações que inevitavelmente degeneram em bandoleirismo, dizimaram a população. Acredito ter mencionado os suicídios, cada ano mais frequentes. Talvez me enganem a velhice e o temor, mas suspeito que a espécie humana – a única – está por extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabo de escrever infinita. Não interpolei esse adjetivo por costume retórico; digo que não é ilógico pensar que o mundo é infinito. Aqueles que o julgam limitado postulam que em lugares remotos os corredores e escadas e hexágonos podem inconcebivelmente cessar – o que é absurdo. Aqueles que o imaginam sem limites esquecem que os abrange o número possível de livros. Atrevo-me a insinuar esta solução do antigo problema: A Biblioteca é ilimitada e periódica. Se um eterno viajante a atravessasse em qualquer direção, comprovaria ao fim dos séculos que os mesmos volumes se repetem na mesma desordem (que, reiterada, seria uma ordem: a Ordem). Minha solidão alegra-se com essa elegante esperança&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108437855317650446?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108437855317650446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108437855317650446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_05_01_archive.html#108437855317650446' title='A biblioteca de Babel'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108360156676592338</id><published>2004-05-03T17:24:00.000+01:00</published><updated>2004-05-03T17:33:02.966+01:00</updated><title type='text'>Cabora Bassa</title><content type='html'>&lt;img src="http://images.google.pt/images?q=tbn:TQ4WSb7xBwUJ:cgee.hamline.edu/rivers/gfx/keen3_7.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sequência de um debate sobre a política externa portuguesa levanta-se a questão sobre Cabora Bassa e o rendimento da resultante.&lt;br /&gt;Situada em Songo, 150 km da cidade de Tete, a barragem de Cabora Bassa constitui um dos maiores empreendimentos hidroeléctricos de Africa, a 2ª em Africa e a 5ª no mundo. Edificada no rio Zambeze, forma uma albufeira, com cerca de 230 km de largura e 2000 km quadrados, no oeste de Moçambique. Tem uma altura de 164 m e um coroamento de 303 m. A sua construção iniciou-se em 1969, ficando operacional em 1978. Até ao final do século, o governo português foi o responsável financeiro pelo projecto. A partir daí à responsabilidade do governo moçambicano, que assume a propriedade da barragem.&lt;br /&gt;Com a guerra civil, as linhas de distribuição de alta tensão foram fortemente danificadas. A reconstrução das mesmas tornou-se vital para o bom funcionamento da barragem, especialmente no percurso para a Africa do Sul, o principal consumidor da energia aqui produzida. Com um potencial eléctrico superior a 2000 GWh, Cabora Bassa apenas explorou, durante os anos 80, uma centésima parte deste valor. Para alem da Africa do Sul, a barragem moçambicana tem capacidade para abastecer também a Zâmbia, o Malawi e o Zimbabué.&lt;br /&gt;Percebo perfeitamente a duvida. Mas na altura em 1969 este investimento não feito sob a forma de ajuda publica ao desenvolvimento mas sim numa lógica Metrópole - Colónia. De qualquer maneira o adjectivo Elefante Branco enquadra-se perfeitamente na barragem.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108360156676592338?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108360156676592338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108360156676592338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_05_01_archive.html#108360156676592338' title='Cabora Bassa'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108334502259457816</id><published>2004-04-30T17:08:00.000+01:00</published><updated>2004-04-30T18:14:41.293+01:00</updated><title type='text'>Melancolia</title><content type='html'>It's four the morning&lt;br /&gt;the end of December&lt;br /&gt;I'm writing you now, to see if you're better&lt;br /&gt;New York was cold, but I like where I'm living&lt;br /&gt;There's music on Clinton Street all through the evening&lt;br /&gt;I hear that you're building&lt;br /&gt;your little house&lt;br /&gt;deep in the desert&lt;br /&gt;You're living for nothing, though&lt;br /&gt;I hope you're keeping some kind of record, yes.&lt;br /&gt;Jane came by with a lock of you here&lt;br /&gt;she said that you gave it to her&lt;br /&gt;on the night that you planned to clear&lt;br /&gt;Did you ever go clear?&lt;br /&gt;Last time I saw you&lt;br /&gt;you looked so much older&lt;br /&gt;your famous blue raincoat&lt;br /&gt;torn at the shoulder&lt;br /&gt;went to the station&lt;br /&gt;to meet every train&lt;br /&gt;you came home alone without Lily Marlen&lt;br /&gt;You treated my woman like a flake of your life&lt;br /&gt;and when she came back&lt;br /&gt;she was nobody's wife, well&lt;br /&gt;I see you there with a rose in your teeth&lt;br /&gt;jut one more thin gipsy thief&lt;br /&gt;oh, Jane's awake now&lt;br /&gt;She sends her regards.&lt;br /&gt;What can I tell you&lt;br /&gt;my brother, my killer&lt;br /&gt;what can I possibly say&lt;br /&gt;I guess that I miss you&lt;br /&gt;I guess I forgive you&lt;br /&gt;I'm glad you stood in my way&lt;br /&gt;If you ever come by here&lt;br /&gt;for Jane or for me&lt;br /&gt;Well, you're an army sleeping now&lt;br /&gt;and your woman is free, well&lt;br /&gt;Thanks for the trouble you took from her eyes&lt;br /&gt;I thought it was there&lt;br /&gt;for good&lt;br /&gt;so I never tried&lt;br /&gt;And Jane came by with a lock of you here&lt;br /&gt;She said that she gave it to her&lt;br /&gt;on the night that you planned to clear&lt;br /&gt;Sincerely, L. Cohen&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108334502259457816?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108334502259457816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108334502259457816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108334502259457816' title='Melancolia'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108257424413480341</id><published>2004-04-21T19:48:00.000+01:00</published><updated>2004-04-21T20:13:31.340+01:00</updated><title type='text'>Ç</title><content type='html'>Ontem estávamos a numerar umas provas de produção. A numeração era sequencial 1,2,3,.... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A certa altura quisemos distinguir características diferentes dentro da mesma prova, passamos assim a chamar-lhes 1A, 1B, quando chegou a próxima prova a operária, que é capaz e instruída, perguntou-me "Sr. Eng.º nesta ponho um C com ou sem cedilha? " Eu respondi com afirmação "Não, nesta situação é sempre com cedilha!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que estamos próximos do 25 de Abril haveria de ser dada a liberdade ao C com cedilha e outorgar-lhe a posição de vigésima sétima letra do alfabeto.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108257424413480341?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108257424413480341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108257424413480341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108257424413480341' title='Ç'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108249006946070791</id><published>2004-04-20T19:11:00.000+01:00</published><updated>2004-04-21T13:35:42.903+01:00</updated><title type='text'>WC</title><content type='html'>&lt;img src="http://images.google.pt/images?q=tbn:nFn1NG47xCEJ:www.imat.org.mx/pics/pensador.jpe"&gt; &lt;br /&gt;Trabalhei em tempos numa fábrica de fazer sanitas, em cerâmica claro está pois é essa a minha arte; entenda-se, não a de fazer sanitas mas a de fazer cerâmica.&lt;br /&gt;Fazíamos sanitas de muitas cores, no entanto o design era quase monocórdico. Tinha-se já tentado alguma inovação mas rapidamente o mercado nos ensinou que uma sanita é uma sanita, nem mais nem menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas não querem duvidar perante a sanita, querem identifica-la num olhar e usa-la em imaculada confiança. A sanita tem de ser insuspeita como uma Instituição. Entregamo-nos a ela com uma confiança inata, adquirida no convívio diário de anos com o mesmo formato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da vida conhecemos várias sanitas. Umas desprezamo-las, usamo-las até sem respeito nem remorso e esquecemo-las com um bater de porta. Outras prendem-se às memórias por momentos únicos. É com a sanita que se recebe a anunciação, é com a sanita que se inicia a sexualidade, é com sanita que tantas vezes arranjamos coragem e tantas vezes nos escondemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na procura do espaço individual na vida urbana, valoriza-se a solidão do momento, o encontro do ego. A sanita torna-se um altar de misericordiosa introspecção. É nela que o pensador de Rodin encontra a sua alma.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108249006946070791?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108249006946070791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108249006946070791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108249006946070791' title='WC'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108240047394011008</id><published>2004-04-19T19:45:00.000+01:00</published><updated>2004-04-20T10:14:41.700+01:00</updated><title type='text'>Soma</title><content type='html'>Um Homem não é o resultado daquilo que tem, mas sim do que ainda não tem e já poderia ter tido.&lt;br /&gt;Nunca seremos tão felizes como na infância. A vida é um processo de perda e não devemos aplaudir o muito que ganhamos mas o pouco que perdemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Homem é a solução da espectativa.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108240047394011008?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108240047394011008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108240047394011008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108240047394011008' title='Soma'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108237666960075732</id><published>2004-04-19T13:09:00.000+01:00</published><updated>2004-04-19T13:15:12.890+01:00</updated><title type='text'>Niassa</title><content type='html'>Tenho um amigo.&lt;br /&gt;Está longe o meu amigo.&lt;br /&gt;Não me lembro dele,&lt;br /&gt;Não lhe falo,&lt;br /&gt;Não lhe escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que é meu amigo&lt;br /&gt;Como sei que uma pedra é uma pedra.&lt;br /&gt;Não o vejo como não vejo a pedra de que me fala o meu amigo.&lt;br /&gt;Mas acredito nela sem a ver.&lt;br /&gt;E acreditar é mais do que amar ou sentir.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108237666960075732?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108237666960075732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108237666960075732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108237666960075732' title='Niassa'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108214146162661842</id><published>2004-04-16T19:44:00.000+01:00</published><updated>2004-04-19T19:19:36.920+01:00</updated><title type='text'>Sentires</title><content type='html'>Passeiam-se cães pelas vielas da noite.&lt;br /&gt;Há homens que tentam amores em mulheres que os esquecem,&lt;br /&gt;Há o taberneiro que vê, a mulher que espia, a menina que cora.&lt;br /&gt;Há amigos que bebem.&lt;br /&gt;Há a zaragata dos copos,&lt;br /&gt;O monhé que vê e sorri,&lt;br /&gt;A velha que se levanta e pena,&lt;br /&gt;A persiana que sobe,&lt;br /&gt;O vizinho que espreita e acobarda,&lt;br /&gt;O estudante que não ama,&lt;br /&gt;O padeiro que adormece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há flores que se fecham, &lt;br /&gt;Gatos que se encontram, &lt;br /&gt;Poetas que sonham, &lt;br /&gt;Princesas que esperam,&lt;br /&gt;Engenheiros que supõem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodopiam os sentires em estranha alegoria&lt;br /&gt;para se voltarem a repetir em eterno devaneio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108214146162661842?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108214146162661842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108214146162661842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108214146162661842' title='Sentires'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108206211196479950</id><published>2004-04-15T21:47:00.000+01:00</published><updated>2004-04-15T21:59:20.263+01:00</updated><title type='text'>Hipótese</title><content type='html'>&lt;img src="http://images.google.pt/images?q=tbn:4bhnieg3kEoJ:www.laurin-hotel.it/wind-surf.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo urge, esvai-se como areia entre os dedos. Queremos ser hoje o que já devíamos ter sido ontem e pesa-nos o fardo das hipóteses adiadas. &lt;br /&gt;As realizações aguardam presas no cordão da algibeira, embaciadas no vidrinho do relógio. Negociamos com a consciência o protelar da esperança, para amanhã, – amanhã será ainda cedo, talvez depois de amanhã ou no próximo fim-de-semana ou para o mês que vem. Arquivamos em prateleiras os quereres, ordenamos as prioridades que mudam constantemente e a trama do espírito amotina-se em nós desenvencilháveis... por isso vou fazer Wind-Surf no Sábado.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108206211196479950?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108206211196479950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108206211196479950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108206211196479950' title='Hipótese'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108195958535137725</id><published>2004-04-14T17:18:00.000+01:00</published><updated>2004-04-14T17:23:41.903+01:00</updated><title type='text'>Domingo</title><content type='html'>Boas eram as manhãs de Domingo da minha infância. O colarinho gomado, a gravata de fingir, os punhos brancos saindo do casaco almofadado, a calça de tirilene bem vincada e sapato luva. Feliz no estereótipo de adulto, como que para sê-lo bastasse vestir-lhe a farda.&lt;br /&gt;Éramos todos mais homens ao domingo. Para o meu Pai era dia de barba e eu, ainda deitado, esperava pelo chuaxar da gilette na água seguido dos três toques secos no bordo da bacia. Aí levantava-me, queria ver como era, abria a porta para o chichi da manhã e lá estava ele, sorrindo-me de dentes brancos e alvos, de pêlos grisalhos no peito e vestindo sempre a camisola de alças em rede, curvava-se para se ver ao espelho.&lt;br /&gt;Ficava a olhar a lâmina, o pincel, o creme na taça inox, os pêlos já cortados salpicados numa explosão branca que boiavam na bacia. Arrepiava-me com arranhar da lâmina pela face e vacilava-me a vontade de ser adulto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do banho já a minha mãe separara as roupas a vestir. Espreitava novamente o meu pai frente ao guarda fato, de face macia entregava-se à feitura do nó da gravata. Imaginava-me assim, com uma gravata sem elástico nem colchete no ritual silencioso do nó. Aquele seria certamente um momento de máscula introspecção.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108195958535137725?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108195958535137725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108195958535137725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108195958535137725' title='Domingo'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108144882766922489</id><published>2004-04-08T19:22:00.000+01:00</published><updated>2004-04-08T20:07:33.280+01:00</updated><title type='text'>ABRAÃO</title><content type='html'>&lt;IMG SRC="http://images.google.pt/images?q=tbn:zsx9iDgQz_QJ:www.opaodavida.hpg.ig.com.br/imagem/abraao.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é Abraão.&lt;br /&gt;É filho de Matusalém e neto de Noé. Foi pastor em Ur, pequeno povoado muito perto das metrópoles gémeas de Sodoma e Gomorra. Sara sua esposa, não conseguia engendrar e por isso pediu a Abraão que conhecesse Agar, sua criada. Dessa ligação extra conjugal nasceu um bastardo, chamou-lhe Ismael. Pai de todo o povo árabe e pedra angular do Islamismo, ou seja do Islão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já aos 90 anos Sara foi agraciada com um filho de Abraão, chamou-lhe Jacob. Pai de toda a fé Judaica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jacob foi pai de Esaú e Isaías e deste ultimo surgiram todas as gerações dos profetas e reis hebreus; como Moisés, Job, Hezequiel, David, Salomão, Nabuco……. Até José pai de Cristo. Senhor de todos os cristãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraão é assim a nascente de todas as igrejas monoteístas, é pai de judeus, cristãos e muçulmanos. Os três livros sagrados, A Tora, A Bíblia e O Corão têm os mesmos profetas que profetizam o bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Anjo Gabriel que libertou Jacob da faca de Abraão é o mesmo que faz a anunciação a Maria e é também o mesmo que revela a Maomé a 26 de Julho de 622 d.c o início da Hégira. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108144882766922489?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108144882766922489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108144882766922489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108144882766922489' title='ABRAÃO'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108141961459190336</id><published>2004-04-08T11:19:00.000+01:00</published><updated>2004-04-10T19:52:43.826+01:00</updated><title type='text'>Horizontes 2</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://marsrovers.jpl.nasa.gov/gallery/press/opportunity/20040128a/Sol3_Outcrop_Color-sol004-b-B004R1_th544.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br/&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://marsrovers.jpl.nasa.gov/gallery/press/spirit/20040113a/Horizon_hills_color-A11R1_th544.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://marsrovers.jpl.nasa.gov/gallery/press/opportunity/20040302a/23-jc-02-plains-B034R1_th418.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br/&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://marsrovers.jpl.nasa.gov/gallery/press/spirit/20040318a/10-JG-04-hills-A074R1_th418.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje somos nós os marcianos !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108141961459190336?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108141961459190336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108141961459190336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108141961459190336' title='Horizontes 2'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108136992485391557</id><published>2004-04-07T21:30:00.000+01:00</published><updated>2004-04-08T10:33:54.793+01:00</updated><title type='text'>Um bom homem</title><content type='html'>Conheci em tempos um bom homem. De boné na mão e olhando no chão pedia trabalho. Dizia entregar-se a tudo, não tinha medo a trabalhos duros, há muito que suava o corpo em empreitadas de uns e outros. Aparentava uns 30 anos, alto e esquelético. As ossadas saíam-lhe pelos ombros, o rosto era esguio e as faces cavernosas. Embora não tivesse o lábio leporino, tinha uma entoação nasal na voz parecendo respirar pela boca. A inclinação para a frente no andar mostrava uma vida de arrasto e dificuldades. Foi conhecido posteriormente entre colegas por Dinossauro e mais tarde, já com o carinho granjeado pelo trabalho, por Dino. Nunca lhe conheci o nome próprio, desde o início me lembrou o Michel K do Coetze.&lt;br /&gt;Tinha qualidades já há muito esquecidas pelos jovens que procuram trabalho na indústria, mostrava o que chamamos de cultura de trabalho. Esta é para nós a base de qualquer profissional: humildade, respeito hierárquico e vontade.&lt;br /&gt;Começou a trabalhar na semana a seguir, foi para a secção de trabalhos mais sujos e pesados. A secção mais afastada do resto da fábrica. Lá trabalhavam as personalidades menos comuns, todos com alguma tontice disfarçada de sábia manha. Eram os medrosos, os solitários, os grunhos, os neuróticos. Não eram homens de afectos mas respeitavam-se mesmo na antecâmara da discórdia.&lt;br /&gt;O Dino fez-se um trabalhador valoroso, compreendia as instruções e a importância delas, nunca recusava fazer horas mesmo em horários perversos. Era certamente um homem só e encontrava na luta da fábrica o carinho que, embora rude, nunca tinha tido antes. A certa altura quisemos recompensá-lo pela sua dedicação, chegando chefiar a secção em épocas calmas. Testava-mos até onde o podíamos levar tendo sempre ultrapassado as pequenas dificuldades que lhe criávamos.&lt;br /&gt;Um dia disse que se queria ir embora, ia para Inglaterra com promessas de libras fáceis. Conhecíamos a sua ingenuidade e tentamos dissuadi-lo, mas foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou-se um ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um mês soube que regressara, tinha corrido mal o sonho das libras. A irmã que o chamara não era afinal criada de servir, vendia-se por passeios e quartos de vão de escada. Ficou mais só, não suportou a miséria e regressou.&lt;br /&gt;Surgiu-nos a oportunidade para ele, tínhamos uma função a dar-lhe e chamámo-lo. Com a mesma humildade agradeceu-nos veemente a oferta.&lt;br /&gt;Reparei nele novamente, é um homem triste, corroído por solidão. Vive com a mãe, não tem orgulho nem vontades. Provavelmente nunca ninguém o amou tanto como a fábrica.&lt;br /&gt;Ontem faltou sem avisar, achei estranho, não me lembro de que alguma vez o tenha feito.&lt;br /&gt;Hoje, à entrada do portão soube o porquê. Tinha sido preso pela PJ. Foi acusado de violar sistematicamente durante um ano a sua sobrinha de oito anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha sido um bom homem.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108136992485391557?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108136992485391557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108136992485391557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108136992485391557' title='Um bom homem'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108116481629344040</id><published>2004-04-05T12:32:00.000+01:00</published><updated>2004-04-10T20:12:33.263+01:00</updated><title type='text'>Horizontes 1</title><content type='html'>&lt;img src="http://marsrovers.jpl.nasa.gov/gallery/press/spirit/20040401a/Mazatzal_Full-A087R1_th544h.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que memórias terão estas pedras ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108116481629344040?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108116481629344040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108116481629344040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108116481629344040' title='Horizontes 1'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108093232112564041</id><published>2004-04-02T19:53:00.000+01:00</published><updated>2004-04-02T20:02:21.546+01:00</updated><title type='text'>Tão grande é o dia com'a romaria.</title><content type='html'>Apresento aqui um caso realmente anti-natural, não é uma virose, não é uma micose, não é uma “almerródia”, não é uma depressão. No nosso léxico quotidiano não lhe distingo um nome, por isso chamemos-lhe a COISA.&lt;br /&gt;A COISA é digna da curiosidade de sociólogos e filósofos do comportamento. Um “case study” que poderia originar papers, posters e apresentações nessas conferências internacionais do turismo intelectual. Trata-se de um fenómeno que sucede em círculos muito restritos, amordaçados no seu profundo incógnito. Fenómenos sem rosto. Angústias que minam em silêncio a vida de um vizinho, de um conhecido do autocarro, de um qualquer para o qual até olhamos com desdém. Superficialmente, em diálogos de circunstância mingúem se apercebe da COISA, só mentes despertas a podem observar através de terapias de hipnose ou meditação Zen.&lt;br /&gt;Tomo em mãos esse louvor, o dar a conhecer ao grande público a COISA, suportada em silêncio por muitos, destruidora de lares e ditadora de almas. A COISA tem um comportamento muito selectivo, existe em potência em todos os que frequentam engenharias no ensino superior. No entanto, só começa a descongelar do seu letargo após a entrega do projecto de 5ª ano. Aí há muitos casos de eliminação do bacilo com sucesso. Detectada nesse período e com aconselhamento profissional pode ser erradicada. Seguindo a via académica ou Função Pública a COISA desaparece por completo, ficam só leves mazelas que no pior dos casos poderão provocar pesadelos, suores frios e inquietude no sono durante algum tempo. Não actuando logo nessa fase a situação torna-se irremediavelmente perdida. Um cúmplice da COISA rodeia o indivíduo hospedeiro e mina-lhe a alma, fala-lhe de ambição, dinheiro, poder. Empurra-o assim para o precipício. Já infectado e numa atitude tresloucada o indivíduo envia o curriculum-vitae para o sector privado. Agora só a sorte o pode ajudar.&lt;br /&gt;São conhecidos casos de infecção profunda, situações tais que levam o indivíduo infectado a detestar o horário de verão. Sabe-se que isto se deve ao facto de haver mais horas de sol.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108093232112564041?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108093232112564041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108093232112564041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108093232112564041' title='Tão grande é o dia com&apos;a romaria.'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108065400557113653</id><published>2004-03-30T14:39:00.000+01:00</published><updated>2004-03-31T19:51:04.030+01:00</updated><title type='text'>Medo</title><content type='html'>Ao reparar num plano que está o suficientemente longe, este apresenta-se regular na forma. Não se levantam porquês filosóficos na continuidade. Existe só uma área uniforme, tranquila. O Senhor dos grandes espaços não permite ser questionado, a sua magnitude acanha-nos a imaginação e extrospecções da envolvente tornam-se incapazes. Então, fugimos para dentro de nós mesmos. O grande plano espelha-nos pequenez. Como cão acossado, o orgulho da nossa altivez, tenta encontrar caminho para regressar à glória perdida. Como se atreve o espaço, a obrigar-nos despir o fato de super-homem que roubámos do paraíso? Ele que não é diverso, ele que não é mutável? Fere-nos a intemporalidade das coisas, fere-nos que a linha da vida termine na base do polegar, fere-nos que a areia da clepsidra seja mensurável, que as borras de café, que pousamos com melancolia, não se estendam a futuros eternos. É uma afronta a superioridade de algo perante nós. A consciência dessa afronta sabe a fel de derrota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem de haver solução. Criamos tradições, culturas, explicações do erro. Situamos a origem do erro num ente desconhecido. Damos-lhe a forma que nos assusta. É plano, contínuo, imutável, tranquilo. Ao mesmo tempo, dizemos que também nós temos parecenças com ele. É sempre mais suportável aceitar perder para os amigos.&lt;br /&gt;Dizemos que é único. Como poderíamos suportar a derrota com vários?&lt;br /&gt;Dizemos que é todo poderoso para desculparmos incapacidades.&lt;br /&gt;Lavamos a vergonha da derrota porque em tempos também ele já perdeu contra o homem.&lt;br /&gt;Contudo confabulamos ataques. Fazemos zoom para o interior do grande plano. O que era continuo começa a apresentar leves irregularidades, há concentrações diferentes do mesmo elemento. Começamos a separa-los, a medi-los, a matematiza-los. Arranjamos-lhes nomes de números e engendramos possíveis lógicas.&lt;br /&gt;Entramos mais para o interior do plano. Se não houver continuidade, podemos dividir o inimigo em partes mais facilmente derrotáveis. Talvez ainda possamos deixar de ter medo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108065400557113653?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108065400557113653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108065400557113653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108065400557113653' title='Medo'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108056008891499405</id><published>2004-03-29T12:33:00.000+01:00</published><updated>2004-03-30T13:14:22.670+01:00</updated><title type='text'>O Elogio da Preguiça</title><content type='html'>A indústria portuguesa sofre de um mal crónico, chama-se liderança. Não é que nos faltem homens rudes de palavra austera e língua afiada. Há disto em qualquer bom andaime. O problema é a definição de liderança, não só para o patrão como também para o operário.&lt;br /&gt;O conceito está culturalmente militarizado. Apegos ainda ao ultramar, à hierarquização piramidal profunda. O Cabo é um instrumento simples do Sargento e este do Alferes, não há espaço para a demonstração individual. Este será um sistema correcto em guerras sem sentido, no entanto é profundamente castrante em células de trabalho. Provoca um acanhamento crónico da liberdade espiritual, que limita o operário há realização da tarefa compulsiva e não mais.&lt;br /&gt;Onde estão os homens e mulheres da sociedade civil? Os da banda de música, os bombeiros, os voluntários de isto e daquilo, os organizadores de festas, as gentes da paróquia, os escuteiros, os administradores de condomínio, os das associações de pais … Quem faz isto cria, é activo, participativo e interveniente. Que fazem eles na vida profissional?&lt;br /&gt;A rígida estrutura militarizada da liderança não permite que se levantem, que opinem. Também eles sentem que não devem opinar, não há heroísmos para guerras alheias. Instala-se a anulação mútua da capacidade criativa. O potencial humano que é o principal recurso de qualquer empresa, torna-se mera formiga, aparafusador dos “Tempos Modernos” do Chaplin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois vêm os engenheiros, os Capitães das guerras loucas. Chegam como cães de caça a fareja o poder. Não interessa para nada a arte para que foram amestrados e tornam-se capatazes. Querem ser líderes sem heroísmo e o tempo que deveriam usar para engenheirar os processos, perdem-no em maquiavélicos jogos de poder.&lt;br /&gt;Assim é difícil inovar, patentear, criar, e é em plena consciência disso que os nossos governantes nos vendem ao investidor estrangeiro. Acenam a bandeira dos baixos salários como o único chamariz. Passado um tempo, o investidor vai-se embora porque se é só uma questão de preço, há quem leve mais barato.&lt;br /&gt;A mudança está em cada um, no seu dia a dia. Libertemo-nos das mangas-de-alpaca e demo-nos à preguiça. Uma boa ideia na rede de embalar é mais produtiva que muitos passos dados em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentários para necoma@mail.pt&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108056008891499405?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108056008891499405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108056008891499405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108056008891499405' title='O Elogio da Preguiça'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108032891178244845</id><published>2004-03-26T19:20:00.000Z</published><updated>2004-03-29T12:25:11.966+01:00</updated><title type='text'>Março Marçagão</title><content type='html'>Março é tipicamente improdutivo. Neste mês do ano abre-se-nos à frente uma Caixa de Pandora. Nigromantes abomináveis, lentos, langorosos, de cem cabeças indissociáveis, saem e apresentam-se. Constituem o “Processo de Marcação de Férias do Pessoal”.&lt;br /&gt;Cada indivíduo traz o seu bicho, com falas elaboradas de pedinchas e lacrimisses, como dragões esfaimados com capuzes de lã. São todos bastante semelhantes, variando apenas em nº de cabeças. Cada uma diz respeito a um elemento a consultar para o consenso das datas. Invariavelmente estão presentes as cabeças bífidas dos filhos, do namorado da cunhada que é tropa, da tia solteira que vive lá em casa e não pode ficar sozinha, da sogra. Mas, a mais assustadoramente complexa é a do cônjuge. Traz agarrada nas fontes, os nigromantesinhos dos colegas de trabalho. Esta é de tal forma poderosa que chega a por empresas em contacto, sem maior razão que o interceder pelo Zé marceneiro da fábrica dos móveis, que quer a 1ª de Setembro para vindimar um cômado que tem em Milhais. Conseguindo isso, já se pode contar com a Maria pintora (esposa do Zé) para fazer o lugar da Alice na 2ª de Agosto.&lt;br /&gt;Ouvem-se histórias de colheitas e plantações, conjuga-se com luas, vinganças, chuvas e quebrantos. Contudo, como quem desfia a pita nos passeios de Sesimbra, lá se vai domando a fiada e a coisa começa a ter algum sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentários para necoma@mail.pt&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108032891178244845?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108032891178244845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108032891178244845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108032891178244845' title='Março Marçagão'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108021922879091028</id><published>2004-03-25T12:53:00.000Z</published><updated>2004-03-29T12:23:50.843+01:00</updated><title type='text'>A aposta.</title><content type='html'>Vindo para a fábrica numa destas madrugadas, reflectia sobre a famigerada conjuntura. O desemprego, os 200 mil esfomeados, a tuberculose, o défice e misérias afins. Não querendo mergulhar em depressões, libertei o espírito com um sonoro “q’ssa lixe”e liguei o rádio. Tocava uma versão de 82 do Portugal Portugal do Jorge Palma. Era uma voz ingénua sentindo embora a desilusão dos jovens pós Abril.&lt;br /&gt;Dizia então&lt;br /&gt;“ (…)&lt;br /&gt;Portugal Portugal,&lt;br /&gt;De que é que estás à espera&lt;br /&gt;Tens um pé numa galera e outro no fundo do mar&lt;br /&gt;(…) “&lt;br /&gt;(versão de 1982)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referia-se ao Portugal trôpego que vendo a miragem da ilha da fortuna, saiu da barca sem planeamento. Logo no primeiro passo atolou-se no lodo, comprometendo irremediavelmente a conquista. Foi assim com as ilhas da fortuna do passado, o ouro do Brasil, as especiarias da Índia, as riquezas de África, encaramo-las sempre como uma cigarra tola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso aliás que o nosso passado terá sido fruto de brincadeira divina. Uma combinação entre o Espírito Santo e o Senhor. Terão apostado que mesmo pondo nas mãos dos Portugueses os meios para alcançar desenvolvimento sustentável, estes não o conseguiriam. Não sei qual dos dois estaria a nosso favor, talvez o Senhor pois será certamente mais influenciável pela Senhora que, essa sim, está sempre do nosso lado.&lt;br /&gt;História passada vê-se que o Espírito Santo ganhou, imensas riquezas nos puseram nas mãos e nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo no carro e continuo na rádio, surge-me agora, numa outra estação, uma nova versão da mesma música do Jorge. Esta é de 1992 (dez anos passados). A letra é exactamente a mesma mas agora com uma voz muito mais desgrenhada, muito mais desiludida. Canta como quem blasfema. Como quem já perdeu a esperança à dez anos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, o Senhor quis a desforra e tornaram a apostar. Davam-nos agora a União Europeia. “Uns burrinhos que nos vão encher de dinheiro sem levarem nada em troca!”, pensámos todos enquanto arrotávamos a salsicha alemã. E fica-mos novamente à espera, a miragem tapou-nos o atolar do pé no lodo e fomos continuando a afundar. Somos aqueles filhos de pais ricos que se vão encostando à fortuna dos velhos, nada fazem por si até que na falta de quem trabalhe por eles, vêem-se apertados e saltam da barca repentinamente, afundando-se na sua própria desgraça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor voltou a perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apago o rádio repentinamente. Não quero correr o risco de poder ouvir uma outra versão de 2002. Essa deitar-me-ia seguramente às lágrimas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://necoma@mail.pt"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108021922879091028?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108021922879091028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108021922879091028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108021922879091028' title='A aposta.'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108013591227330664</id><published>2004-03-24T13:44:00.000Z</published><updated>2004-03-24T17:50:57.123Z</updated><title type='text'>A libertação não é a felicidade!</title><content type='html'>Eram já adiantadas horas da noite. Saindo da fábrica rumo a casa pela A1, dou-me conta de ser um espectador da realidade de outro numa envolvente estranha. Fora assombrosamente engolido por um ataque de realismo.&lt;br /&gt;Conduzindo de olhar pregado no tracejado branco, começou o processo de libertação. A palpitação do traço; não-traço; traço, não-traço, foi criando a hipnose que adormece os sentidos que nos ligam à realidade. Algum tempo passado nesta modorra, senti-me anestesiado. Virei a cabeça, muito lentamente para não me aperceber de mim e reparo no redor. Umas cascas de maçã espalhados num banco, uma cansada bata “branca” de engenheiro, livros de títulos ao contrário. Nada daquilo já me pertencia.Olhei atentamente, uma mão; uma perna, um corpo desconhecido. Para que raio estaria ali um corpo?&lt;br /&gt;Estava lúcido, consciente, real, mas não eram meus os despojos daquela vida.&lt;br /&gt;Que fazia eu dentro de um carro envolto na escuridão? Senti a idealização espiritual de mim mesmo. Estava certo que tinha separado o espiritual do físico, tinha atingido a libertação. Encontrado a verdade que os ascetas procuram debaixo das árvores em séculos de meditação.&lt;br /&gt;Poderia ter acabado aqui. Seria um bom fim. Ficaria a promessa de uma capacidade adjacente para atingir a felicidade.&lt;br /&gt;Mas não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou o tempo da admiração pelo que estava a sentir e chegou a pergunta arrasadora.&lt;br /&gt;“O que faço eu com isto?”&lt;br /&gt;Tinha chegado ao paraíso e ele era um mar de branco. Um glaciar em todo o horizonte onde só existia eu e o nada.&lt;br /&gt;“E para onde vou?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti pânico da solidão, quis regressar novamente ao corpo, embora gordo sempre era uma companhia para o espírito. Conduzi o pensamento para a tarefa e a teia monocórdica da vidinha acolheu-me como a um filho pródigo. Foi buscar ao rebanho das misérias as mais retorcidas conjuminações e deu-mas a comer com um afago na face.&lt;br /&gt;De boina amarrotada entre as mãos, agradeci e comi sofregamente.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108013591227330664?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.necoma@mail.pt' title='A libertação não é a felicidade!'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108013591227330664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108013591227330664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108013591227330664' title='A libertação não é a felicidade!'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-108006062367754658</id><published>2004-03-23T16:40:00.000Z</published><updated>2004-03-23T16:58:07.826Z</updated><title type='text'>Engenharia Industrial</title><content type='html'>Toda a minha vida quis ser algo parecido com o Álvaro de Campos. Sentir aquele frenesim estético do Ode Triunfal &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"À dolorosa luz das lâmpadas eléctricas da fábrica&lt;br /&gt;tenho febre e escrevo,&lt;br /&gt; escrevo rangendo os dentes .....".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje que trabalho numa fábrica, com lâmpadas eléctricas e alguns dentes, sinto tudo como uma enorme maçada.&lt;br /&gt;O que tem de triunfal trabalhar numa fábrica até deixar de haver luz, rangendo os dentes de raiva por não querer estar ainda ali e tendo ainda que escrever o relatório para a reunião de amanhã ??&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-108006062367754658?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108006062367754658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/108006062367754658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108006062367754658' title='Engenharia Industrial'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-107998556166217006</id><published>2004-03-22T19:58:00.000Z</published><updated>2004-03-22T20:02:46.216Z</updated><title type='text'>A vida para além da Morte</title><content type='html'>Pela ordem natural dos tempos serei pai um dia, depois &lt;br /&gt;serei avô e até, quem sabe, bisavô. Provavelmente não &lt;br /&gt;serei trisavô, mas terei certamente trisnetos. Para eles &lt;br /&gt;serei um desconhecido, do qual pode até nunca se pensar, &lt;br /&gt;um eterno esquecido de um tempo remoto. No entanto, os &lt;br /&gt;meus trisnetos nunca existiriam sem que primeiro eu também &lt;br /&gt;tivesse nascido e procriado. São uma parte de mim, &lt;br /&gt;continuada e misturada no futuro. São vestígios das minhas &lt;br /&gt;mensagens de ADN, uma cor de cabelo, uma forma de pensar, &lt;br /&gt;uma maneira de agir. Eu estou lá, difusamente impresso, &lt;br /&gt;tentando resistir ao passar dos tempos. Estarei nos tris, &lt;br /&gt;quad, cinc-netos, apagando-me lentamente, diluindo-me numa &lt;br /&gt;cada vez mais complexa configuração de caminhos passados. &lt;br /&gt;Um perfeito desconhecido que um dia foi inevitavelmente &lt;br /&gt;necessário. É esta a vida para além da morte em que &lt;br /&gt;acredito.&lt;br /&gt;E voces ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Marques&lt;br /&gt;Instituto de Telecomunicações&lt;br /&gt;Aveiro&lt;br /&gt;Portugal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-107998556166217006?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/107998556166217006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/107998556166217006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107998556166217006' title='A vida para além da Morte'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-107980575206717540</id><published>2004-03-21T11:31:00.000Z</published><updated>2004-03-20T23:35:20.670Z</updated><title type='text'>Prece ao Pai Natal</title><content type='html'>Sou um português igual a tantos outros, cuja origem é tipo bacalhau com todos. Á educação cristã misturo o nariz adunco de um judeu o cabelo negro e liso de um árabe e a naturalidade de África. Eu, português comum, sou o exemplo vivo da harmonia ecuménica dos povos. Mais do que espírito, sou o próprio ser natalício, que é intrínseco fisicamente à maneira de se ser português. Fruto da imensa amplitude genética de ser irmão de sangue de grande parte da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço-te então Pai Natal, que mantenhas a minha portugalidade. A alegre pacatez de sentir a suavidade com que deslizo na vida. A clarividência para preferir a brisa da manhã que dança nos salgueiros aos ataques cardíacos de deficit de produtividade, que me querem impingir.&lt;br /&gt;Peço-te Pai Natal, que me deixe ser quem sou, um português comum. Que não me deixes esquecer que o valor da vida, está naquilo que se faz com o tempo que se vive.&lt;br /&gt;Peço-te Pai Natal, que te juntes ao menino Jesus e numa lição de amizade fraterna, distribuam os presentes juntos, pelos sapatinhos de todos. E com um grande lápis de carvão mágico desenhem, a quatro mãos, um sorriso intemporal nos pais das crianças deste meu Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-107980575206717540?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/107980575206717540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/107980575206717540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107980575206717540' title='Prece ao Pai Natal'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6644088.post-107981146360110615</id><published>2004-03-20T19:02:00.000Z</published><updated>2004-03-21T13:52:40.000Z</updated><title type='text'>A Paixão de Cristo.</title><content type='html'>Entre o Elvai e o Eunates havia um bosque de musgo e erva boa. Alcaçuz e hortênsias trepavam por faisais de canela e lóios. Junto à bacia vivia Adonai, encantador de ostras nas madrugadas dos dias. Ao mergulhar pelos corais, demorava-se entre estrelas e anémonas, deitava-se no manto de algas e tingia as cordas do Torim que trazia sempre consigo. As ostras, estranhas com o som das cordas, abriam-se de rompante ao sentimento. Os gupis e os neons nadavam em turbilhão junto às mãos e entrelaçavam-se enguias nos seus cabelos longos que ondulavam nas vagas. Quando as pérolas brilhavam ao sol e se agitavam em gestos de prazer, Adonai sorria e sentia-se feliz.&lt;br /&gt;Muitas eras se passaram assim, a música enchia os espaços, abraçava as trevas, onde nada antes existia crescia agora o canto intemporal de luz. O dia sucedia à noite e as estações seguiam a monotonia cíclica da existência.&lt;br /&gt;Todas as coisas eram boas, todas as coisas tinham um som, uma pequena peça fundamental para a harmonia da frase. E a frase era Adonai e Adonai era a harmonia.&lt;br /&gt;Num fim de tarde, enquanto brandia o Torim para as criaturas que habitavam no seu pensamento, e agradado com o prazer que sentiam, elevou o canto tão alto que a frase inundou toda a realidade. Aí, algo nunca antes sucedido ocorreu. Uma das doze cordas do Torim partiu-se. Surge um tom dissonante, diferente de todos até então, as criaturas do seu pensamento não o conheciam e sentiram medo. Era quebrada a continuidade da harmonia, e as criaturas despertaram do letargo da eternidade e sentiram a existência de tempo. Não queriam a diferença, não queiram o desconhecido, Adonai já não garantia a continuidade do belo.&lt;br /&gt;Adonai entristece, mergulha para o manto de algas e deixa-se ficar. As criaturas do seu pensamento gritam com mais ardor mas não consegue deixar de as amar. Abre então uma ostra, a luz rarefeita na água percorre o seu dorso numa curvatura perfeita. Era a materialização da antiga harmonia da frase. À distância do olhar, Adonai conduz o seu pensamento para a pérola que brilha no interior. As criaturas  não queriam já permanecer junto do Pai, exigiram um mundo novo, a concretização material da antiga frase. Adonai mostrou-lhes a pérola que acharam perfeita, era lá o destino final. Adonai abre o seu pensamento para aqueles que o quiseram deixar e foram..&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6644088-107981146360110615?l=nelsonmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.space.com' title='A Paixão de Cristo.'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/107981146360110615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6644088/posts/default/107981146360110615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonmarques.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107981146360110615' title='A Paixão de Cristo.'/><author><name>nelson</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13490630204475731023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
